quinta-feira, 9 de abril de 2026

 

HISTÓRIAS PARA BOI DORMIR I - GALO é igual a 50?

Outro dia eu estava explicando exatamente isso para um cara, enquanto aguardava o borracheiro consertar o meu pneu.

Ele dizia (o cara) ter tido uma "7Galo" (Honda CB 750cc Four) e patati-patata. Falou, falou e no meio do papo eu perguntei se ele sabia o porquê “da” moto ser apelidada de 7Galo?

Ele entortou a cara, resmungou e disse:

 - Porque... porque? Porque é 50 de 750! Galo é 50! 

- Ok! Grande, isso eu sei. Mas por que Galo?

- Porque Galo é 50. Já disse!

- Ok Bicho! Mas por que galo é 50? 

- Pô! Porque é...

- Não é porque é! Tem que ter um motivo!!!

O cara ficou com cara de paisagem e eu expliquei...

(Senta que lá vem história...)

Eu também tive uma 750, infelizmente, só por 3 ou 4 meses (até ela quebrar e eu não ter dinheiro para consertar) ...

Naquela época a gente fazia muito rolo com motos. Motos, aparelho de som, discos, prancha de surfe, carrinho de rolimã, papagaio (pipa) ou qualquer coisa que você tinha e não queria mais, ou queria outra coisa que, não tinha. Meu primo do Rio trocava tênis usado! Camiseta Hang Ten, óculos de sol e qualquer coisa que pudesse trocar. Lembrando que nessa época não se podia importar nada! Aqui em São Paulo ninguém fazia isso com roupas ou tênis, mas eu troquei um Converse All Star, por um Pro Keds que ninguém tinha!

All Star já era difícil ou alguém que ia viajar trazia ou a gente comprava na Rua das Palmeiras no centro de São Paulo. Tudo importado!  A moda começou a pegar aqui, e trocávamos skate, raquete Wilson  , bolinha Spalding,  bola de Basquete, de “capotão”, etc... Rolava o maior “troca-troca” (sem malícia aí, ô meu!!), o difícil era "rolar" dinheiro mesmo, era mais rolo de coisas. Por exemplo, eu saí de uma Yamaha RD 75cc em 1975, para uma 7Galo em 1977. Minha primeira moto mesmo, eu ganhei em novembro de 1974. Achei que fosse um presente de natal antecipado. Meu pai tinha um amigo na recém-inaugurada, Yamaha do Brasil em Guarulhos e eu ganhei uma Yamaha RD 50cc (eu acho que quem ganhou foi ele, o meu pai, mas ele me deu de presente, ou nem deu, mas deixou que eu usasse o “brinquedinho”. Isso nunca ficou muito claro se a moto era minha ou não), mas mesmo assim, eu fui uma das primeiras pessoas a ter uma “cinquentinha” da Yamaha (que, sei lá o porquê, nunca foi chamada de “galinho”). Infelizmente a moto deu problema depois de uns 3 meses, bem na época do meu aniversário (não me lembro muito bem o que aconteceu, mas ela pifou e nunca mais ligou). Meu pai levou a moto para esse tal amigo e eu acabei ficando sem moto (e sem presente). Sniff! Em 75, quando a Yamaha lançou a RD 75cc, eu ganhei outra novamente (a minha era uma vermelha). Como da primeira vez, também não foi muito oficial, mas essa, nunca mais saiu das minhas mãos (na verdade saiu, mas pelas minhas próprias mãos).  Bom, minha primeira moto então, foi mesmo a 75cc (eu nem me lembrava mais da RD 50), mas eu nunca tive a verdadeira “cinquentinha” (Honda CB 50cc importada que era a “coqueluche” da molecada), inclusive, foi em uma destas que aprendi a andar de moto, lá pelos idos dos meus 12 ou 13 anos. Depois dos meus 15 anos a gente fazia muito rolo de moto. Pegava moto quebrada ou sem peças, arrumava, ficava com ela algum tempo e “rolava” por outra. Da RD 75 passei para uma Honda CB 125cc japonesa, depois para uma Yamaha 350cc (a tal Viúva Negra). Essa sim metia bronca! 
Realmente, ela fazia jus ao apelido. Com o perdão da palavra, até a terceira marcha, ela andava na “bunda” da 7Galo, mas a “féla” não parava nem a pau. Ela matava tanto casados como solteiros (mais solteiros, no caso). A viúva era a própria moto, mas não sei porque viúva, já que ela era destruída junto com o “marido”. Não sobrava nada. A moto era uma desgraça, demorava muito para estancar. Se brecasse rápido, parava em uns 10 metros depois (dependendo da velocidade, nem parar, parava). Acho que também fiquei uns três ou quatro meses com ela. Graças a Deus, não iria sobreviver por muito tempo! Depois disso, acho que “rolei” para uma Honda 360 OHC (de tiozão). Não me lembro muito bem, mas acho que entre a 350 e essa 360, passei por uma Honda 400 Four vermelha (não sei se foi nessa ordem). Foi a primeira e única vez que vi uma 400 Four na vida, mas ela estava toda "bichada" e eu desfiz o negócio. Com a 360 eu só fiquei uns dois meses (ou nem isso)! Aí “rolei” para uma 7Galo. Era uma Honda CB750cc Four, acho que 71. Nesse meio tempo, acabei tendo uma CR 125cc da Honda vermelhona e velhona e depois, a minha grande paixão, uma Yamaha YZ125 branca e vermelha que subia até parede. Tive duas paixões em motos, a minha 75cc e essa YZ125 de 1974. Até que, infelizmente, acabei com ela em um treino de motocross. Quebrei o braço e perdi a moto. O braço não, eu quebrei o pulso! Tive uma fratura exposta “animal” que eu tenho as marcas até hoje. Acho que fiquei quase 1,5 ano engessado (nessa época, não dava muito para saber a relação de tempo. 3 meses pareciam anos e anos pareciam décadas). Mas eu fiquei muito tempo engessado. Uma “pá” de tempo. Fiquei enfaixado até cicatrizar fratura exposta e o rombo e disso, “anos” de gesso.  A única coisa boa em engessar o braço era poder brigar de gesso. (Hahaha! Eu virei um demônio na briga com o braço engessado). A moto foi para a concessionária com o “garfo” quebrado e eu nunca mais a vi. Eu devo ter feito negócio com ela, mas não me lembro de nada. Acho que além do braço quebrado, também quebrei a cabeça. Agora, acabei de me lembrar de um outro “causo”. Desta vez com a minha Honda 125. Eu vinha no “pau” para fugir da chuva que estava ameaçando e a moto “com o cabo tolado no último”, de repente, travou o motor. Eu deveria estar perto dos 120km/h, ou mais (ainda bem que eu não tinha mexido no motor desta moto como mexi na RD 75. Minha 75 dava pau em 125! Batia os 120/130 km/h. Mandei baixar o cabeçote em “.13” (Ponto13 – Nunca soube o que seria esse tal de “ponto 13”, mas só sei que a porra voava).  As pedaleiras eram em “V” para não raspar no chão (eu queria mesmo era ter corrido em Interlagos na categoria de 50cc, mas não tive chances). Voltando.... Sem brincadeira, quando travou o motor eu pensei que iria morrer! Acho que percorri uns 70 metros com as rodas travadas e sem poder mexer no guidão. A moto foi chegando cada vez mais perto da guia e quando chegou, eu caí. Ridículo! A moto estava quase parada quando bati na guia. Cai e quebrei o dedo do pé! O motor foi “para o saco” (e eu “rolei” de novo). Me lembro que botei a Honda 125, mais a grana da CR que eu tinha guardado e parte da minha mesada e, “rolei” em uma Viúva Negra bichada, que demorei uns 3 meses para conseguir um carburador novo, pois o dela estava ferrado. Depois disso, rolei para a 360 e depois, para a 7Galo. Tudo isso dos meus 14 até os 17 anos. Parecia que haviam se passado uns 10 anos, mas nada mais que uns 3 anos de rolo. Mas, como um bom TDAH, eu me perdi no assunto e o assunto é o tal GALO e 50 Pilas. Entao...

Vamos lá!

Nos idos dos anos 70, Galo (Cr$50 - 50 cruzeiros) representava uma caixa de fósforo cheia de maconha. 

Sim! Maconha! Maconha era mato naquela época. Em qualquer esquina tinha! Eu já estava com 15 anos e no Brasil, era uma época do final da era hippie, da contracultura, dos psicodélicos, da jovem guarda, dos Beatles, etc... Dos cabeludos, óculos redondos coloridos, lenço na cabeça, das roupas coloridas e floridas.  Era a época do LSD, do micro-ponto nas páginas das revistinhas do Tio Patinhas, dos chás de lírio, chá de beladona, chá de cogumelo e chá de sumiço! Além disso, tinham os optalidons e hipofagins que se comprava nas farmácias e eram tomados com bebida alcoólicas, normalmente, conhaque Dreher. Cocaína eu vi uma vez só, quando eu tinhas uns 17 anos, mas nunca foi a minha praia. Essa era a “vibe” dos “velhontros” (nessa nossa época, quem tinha mais de 20 anos já era velho). Tinha até uma música que dizia “não acredite em ninguém com mais de 30 (30 anos) ”. Pooooiiiis bem, nós “jovens”, que estávamos na idade dos 14/15 anos, éramos os "não coroas"! Estávamos bem na época de começar a fumar (na verdade, aprender a fumar sem morrer engasgado) e  passamos (nem todos) incólumes por essa aventura de adolescentes sem causas.

Dizem que essa história do tal "galo" veio do jogo do bicho, onde o Galo, que é do grupo 13, possui os números na casa dos 50. Mas eu não nunca acreditei nisso, pois os números do galo são 49, 50, 51 e 52 e, não iam chamar de “galo” somente o “cinquenta”. A origem deve ter sido outra, ou seja, isso é papo! Seja uma história (ou melhor, estória de antigamente) foi muito mal contada. Também tinha a gíria da “Perna” (Cr$100) que equivalia a um maço de cigarro cheio de maconha (todas essas gírias eram usadas para vender ou comprar maconha na época. Se alguém te contar algo diferente, é mentira. Isso era gíria de, como se dizia no Rio, “chincheiro”). No caso da “perna”, dizem que veio de uma história que o time do Vasco (RJ) ganhou uma vaca cujo valor era de Rs400 (400 réis), e como não tinha como dividir, alguém gritou para cada um ficar com uma "perna". Bem frauquinho isso. "Estorinha para boi dormir", com as pernas...

Continuando...

Um Duque (Cr$200) equivalia a uma lata/pote de margarina Delícia/Doriana e, por último, uma Quina (Cr$500), que era um saco de leite "tipo C" (todos os leites tinham o mesmo tamanho de saco - A, B ou C de 1 litro = 1kg), e em bom francês, "c'est fini"!

Acabou a “estória” e a “história”. Quem souber que conte outra...

Só quem viveu (e foi adolescente nessa época) sabe disso. O resto é lorota!

Ah!! O cara da 7Galo lá no borracheiro. Me esqueci dele! Bom, o gajo  nem sabia porque o cinquenta era chamado de “galo”. Ficou bravo e bateu o pé dizendo que 50 era galo e galo era 50 e não saiu daí!!

Somente mais uma criança que não sabe de nada! Um “moleque” de 50 anos! Pode Arnaldo?

Ser velho as vezes tem suas vantagens. Eu ainda não sei qual, mas tem!!

Beijos, fui...