HISTÓRIAS PARA BOI DORMIR I - GALO é igual a 50?
Outro dia eu estava explicando exatamente isso para um cara, enquanto
aguardava o borracheiro consertar o meu pneu.
Ele dizia (o cara) ter tido uma "7Galo" (Honda CB 750cc Four)
e patati-patata. Falou, falou e no meio do papo eu perguntei se ele sabia o
porquê “da” moto ser apelidada de 7Galo?
Ele entortou a cara, resmungou e disse:
- Porque... porque? Porque é 50 de 750! Galo é 50!
- Ok! Grande, isso eu sei. Mas por que Galo?
- Porque Galo é 50. Já disse!
- Ok Bicho! Mas por que galo é 50?
- Pô! Porque é...
- Não é porque é! Tem que ter um motivo!!!
O cara ficou com cara de paisagem e eu expliquei...
(Senta que lá vem história...)
Eu também tive uma 750, infelizmente, só por 3 ou 4 meses (até ela
quebrar e eu não ter dinheiro para consertar) ...
Naquela época a gente fazia muito rolo com motos. Motos, aparelho de som, discos, prancha de surfe, carrinho de rolimã, papagaio (pipa) ou qualquer coisa que você tinha e não queria mais, ou queria outra coisa que, não tinha. Meu primo do Rio trocava tênis usado! Camiseta Hang Ten, óculos de sol e qualquer coisa que pudesse trocar. Lembrando que nessa época não se podia importar nada! Aqui em São Paulo ninguém fazia isso com roupas ou tênis, mas eu troquei um Converse All Star, por um Pro Keds que ninguém tinha!
All Star já era difícil ou alguém que ia viajar trazia ou a gente comprava na Rua das Palmeiras no centro de São Paulo. Tudo importado! A moda começou a pegar aqui, e trocávamos skate, raquete Wilson
, bolinha Spalding, bola de
Basquete, de “capotão”, etc... Rolava o maior “troca-troca” (sem malícia aí, ô
meu!!), o difícil era "rolar" dinheiro mesmo, era mais rolo de coisas.
Por exemplo, eu saí de uma Yamaha RD 75cc em 1975, para uma 7Galo em 1977. Minha
primeira moto mesmo, eu ganhei em novembro de 1974. Achei que fosse um presente
de natal antecipado. Meu pai tinha um amigo na recém-inaugurada, Yamaha do
Brasil em Guarulhos e eu ganhei uma Yamaha RD 50cc (eu acho que quem ganhou foi
ele, o meu pai, mas ele me deu de presente, ou nem deu, mas deixou que eu
usasse o “brinquedinho”. Isso nunca ficou muito claro se a moto era minha ou
não), mas mesmo assim, eu fui uma das primeiras pessoas a ter uma “cinquentinha”
da Yamaha (que, sei lá o porquê, nunca foi chamada de “galinho”). Infelizmente a
moto deu problema depois de uns 3 meses, bem na época do meu aniversário (não
me lembro muito bem o que aconteceu, mas ela pifou e nunca mais ligou). Meu pai
levou a moto para esse tal amigo e eu acabei ficando sem moto (e sem presente).
Sniff! Em 75, quando a Yamaha lançou a RD 75cc, eu ganhei outra novamente (a
minha era uma vermelha). Como da primeira vez, também não foi muito oficial,
mas essa, nunca mais saiu das minhas mãos (na verdade saiu, mas pelas minhas
próprias mãos). Bom, minha primeira moto então, foi mesmo
a 75cc (eu nem me lembrava mais da RD 50), mas eu nunca tive a verdadeira
“cinquentinha” (Honda CB 50cc importada que era a “coqueluche” da molecada),
inclusive, foi em uma destas que aprendi a andar de moto, lá pelos idos dos meus
12 ou 13 anos. Depois dos meus 15 anos a gente fazia muito rolo de moto. Pegava
moto quebrada ou sem peças, arrumava, ficava com ela algum tempo e “rolava” por
outra. Da RD 75 passei para uma Honda CB 125cc japonesa, depois para uma Yamaha 350cc (a tal Viúva Negra). Essa sim metia bronca! 


Vamos lá!
Nos idos dos anos 70, Galo (Cr$50 - 50 cruzeiros) representava uma caixa
de fósforo cheia de maconha.
Sim! Maconha! Maconha era mato naquela época. Em qualquer esquina
tinha! Eu já estava com 15 anos e no Brasil, era uma época do final da era
hippie, da contracultura, dos psicodélicos, da jovem guarda, dos Beatles,
etc... Dos cabeludos, óculos redondos coloridos, lenço na cabeça, das roupas
coloridas e floridas. Era a época do LSD, do micro-ponto nas páginas
das revistinhas do Tio Patinhas, dos chás de lírio, chá de beladona, chá de
cogumelo e chá de sumiço! Além disso, tinham os optalidons e hipofagins que se
comprava nas farmácias e eram tomados com bebida alcoólicas, normalmente,
conhaque Dreher. Cocaína eu vi uma vez só, quando eu tinhas uns 17 anos, mas
nunca foi a minha praia. Essa era a “vibe” dos “velhontros” (nessa nossa época,
quem tinha mais de 20 anos já era velho). Tinha até uma música que dizia “não
acredite em ninguém com mais de 30 (30 anos) ”. Pooooiiiis bem, nós “jovens”,
que estávamos na idade dos 14/15 anos, éramos os "não coroas"!
Estávamos bem na época de começar a fumar (na verdade, aprender a fumar sem
morrer engasgado) e passamos (nem todos)
incólumes por essa aventura de adolescentes sem causas.
Dizem que essa história do tal "galo" veio do jogo do bicho,
onde o Galo, que é do grupo 13, possui os números na casa dos 50. Mas eu não
nunca acreditei nisso, pois os números do galo são 49, 50, 51 e 52 e, não iam
chamar de “galo” somente o “cinquenta”. A origem deve ter sido outra, ou seja, isso
é papo! Seja uma história (ou melhor, estória de antigamente) foi muito mal
contada. Também tinha a gíria da “Perna” (Cr$100) que equivalia a um maço de
cigarro cheio de maconha (todas essas gírias eram usadas para vender ou comprar
maconha na época. Se alguém te contar algo diferente, é mentira. Isso era gíria
de, como se dizia no Rio, “chincheiro”). No caso da “perna”, dizem que veio de
uma história que o time do Vasco (RJ) ganhou uma vaca cujo valor era de Rs400
(400 réis), e como não tinha como dividir, alguém gritou para cada um ficar com
uma "perna". Bem frauquinho isso. "Estorinha para boi
dormir", com as pernas...
Continuando...
Um Duque (Cr$200) equivalia a uma lata/pote de margarina Delícia/Doriana
e, por último, uma Quina (Cr$500), que era um saco de leite "tipo C"
(todos os leites tinham o mesmo tamanho de saco - A, B ou C de 1 litro = 1kg),
e em bom francês, "c'est fini"!
Acabou a “estória” e a “história”. Quem souber que
conte outra...
Só quem viveu (e foi adolescente nessa época) sabe disso. O resto é
lorota!
Ah!! O cara da 7Galo lá no borracheiro. Me esqueci dele! Bom, o gajo nem sabia porque o cinquenta era chamado de
“galo”. Ficou bravo e bateu o pé dizendo que 50 era galo e galo era 50 e não saiu
daí!!
Somente mais uma criança que não sabe de nada! Um “moleque” de 50 anos!
Pode Arnaldo?
Ser velho as vezes tem suas vantagens. Eu ainda não sei qual, mas tem!!
Beijos, fui...






