sexta-feira, 27 de março de 2026


REVOLTADO OU CRIATIVO?!!!

(Texto Adaptado)

Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física, que recebera nota 'zero'. 

O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma 'conspiração do sistema' contra ele. 

Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido.

Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: 'Demonstrar como pode-se determinar a altura de um edifício bem alto com o auxilio de um barômetro.' A resposta do estudante foi a seguinte:

'Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe-oo barômetro até a calçada, medindo o comprimento da corda. Este comprimento será igual à altura do edifício.'

Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado.

Por instantes vacilei quanto ao veredito. 

Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de Física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão. 

Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de Física.

Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir! (pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder). Mas fiquei mais surpreso quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade, tinha muitas respostas e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.

No momento seguinte ele escreveu esta resposta:

'Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula
h = (1/2)gt^2 calcule a altura do edifício.'

Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta e se concordava  em conferir a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez, de inconformismo.

Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.

"Ah!, sim," - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro."

Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.

- "Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo. bem como a do edifício. Depois, usando uma simples regra de três, determina-se a altura do edifício."

- "Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se a altura do edifício em unidades barométricas."

- "Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença."

- e finalmente, concluiu, "se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer; diz-se:

'Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente.'"

A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta 'esperada' para o problema. 

Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas e decoradas,   com base em informações de livros escritas por alguém, e copiada diversas vezes,    mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma grande farsa.


RESPOSTAS BIBLIOGRÁFICAS:

 O Método Científico (Barometria)

Este método utiliza o princípio de que a pressão atmosférica diminui à medida que a altitude aumenta. O ar tem peso e, quanto mais alto você está, menos ar existe acima de você exercendo pressão.

Para calcular a altura, você deve:

Medir a pressão no nível da rua (P1).
Medir a pressão no topo do edifício (P2).
Utilizar a fórmula da variação de pressão para fluidos (considerando o ar como um fluido de densidade aproximadamente constante para altitudes pequenas):
 ▲P = p.gph

Onde:

▲P é a diferença de pressão (P1 - P2).
p(rho) é a densidade do ar (aproximadamente 1,225 kg/m3 ao nível do mar).
g é a aceleração da gravidade (aprox. 9,81 m/s2).
h é a altura do edifício.

Isolando a altura (h):

h = (P1 - P2)/(p.g)

atmospheric pressure decreasing with altitude, gerada com IA




 

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